As molles azas a bater começa
Entre as palhas o tenro passarinho,
E largos dias por deixar o ninho
Se cança, se fadiga, se arremeça.

H[~u] impulso, outro impulso é vão se apresa,
Já se firma no pé, já no biquinho,
Nas folhas se tem, passa ao raminho
Té que a penna se esforce, e se endureça.

Quando emfim he capaz de movimento
Deixa os arbustos vaga pelos ares,
E sobre as altas faias toma assento:

Estes sejão, Salicio, os exemplares
Em que a vossa virtude anime o alento,
Porque hum dia da Fama honre os Altares.

Ao Illustrissimo Senhor Luiz Beltrão de Gouvea.

ODE.

Se entre as louras arêas
Do meu Jaquitinhonha, hum Genio erguido
Ás Regiões alheas
Manda que em doce metro reppetido
Hoje o teu Nome leve,
Tanto á virtude, meu Beltrão, se deve.

Vejo a sordida inveja
De ira morder-se, e as serpes sacudindo
Por se tragar forceja:
De pejo, e de vergonha em vão cobrindo
Co' as frias mãos o rosto,
Geme a calumnia no mortal desgosto.

Vós, Genios fortunados,
Que do Templo da Gloria honrais a estancia,
Os meritos sagrados
Cantai do bom Ministro: He a constancia,
A sabia fortaleza
He quem o guia na maior empreza.

Se os rigidos palmares
Da Idumeya consulto; o bravo Noto
Os tormentosos ares
Não podem mais dobralos: zomba immoto,
Nem ás ondas tem medo
Sobranceiro ao Egeo, firme penedo.