Tal a constancia tua
Em meio foi dos perfidos rumores;
A verdade, que nua
Derramava em teu rosto as vivas côres,
Sobre as aras decentes
Vio por triunfo mil trofeos pendentes.
A vigilancia, o zelo,
A rectidão do espirito; elevada
Ao gráo mais rico, e bello,
Essa virtude, que nos traz provada
Em meio dos Thesouros
A sã virtude, que enobrece os Louros:
Tudo, tudo apparece
Sabio Ministro da victoria ao lado;
Athenas, que me offerece
No seu público Erario accreditado
Aristides, o Justo,
Em ti acena o seu modelo augusto.
Mil vezes orgulhosa
Negra calumnia o seu desterro tenta;
A virtude preciosa
Contra o fero Themistocles sustenta.
Não ha força que baste,
Não ha poder que o peito lhe contraste.
Feliz o Rei, o Povo,
Feliz tambem de Themis a ballança;
De hum modo raro, e novo
Nas tuas mãos eu vejo, que descança:
Aos premios, ao castigo
Se reparte sem queixa o braço amigo.
Ah! sinta a nossa idade
De hum sangue illustre, de hum talento raro
A próvida igualdade!
Melhor do que nos marmores de Pharo,
Em memoria nos vindouros
T'ergue o Serro h[~u] Padrão nos seus Thesouros.
Imitando o sonho de Scipião.
ODE.
Já vou tocando, ó Licio,
De Lustros dez o fatigado termo;
E já meu corpo enfermo
Se avisinha da morte ao duro officio:
Que cedo o meu destino me promette
Calcar as sombras do medonho Lethe!
Eu descerei contente
A ver os Manes dos Avós amados;
Que bem aventurados,
Se outro mundo tratarão, se outra gente!
Não virão elles, como eu triste vejo,
O velho mando peiorar sem pejo.