De Massinissa o Paço
De Carthago ao Heróe tal scena pinta:
Ao soberbo ameaço
Da Fortuna, elle vê clara, e distincta,
Qual o meu Genio me retrata agora,
A bella Patria, onde o descanço mora.
He este, ó Licio, he este
Sem dúvida, o Paiz bello, e sereno,
Aonde em paz celeste
Não respira da inveja o atroz veneno:
E aonde livres da infeliz mudança
Descança o teu, e o meu bom Pai descança.
Que doce companhia
Deveremos fazer-lhes? Ah se apresse
O momento que hum dia
Tão gostosa união nos lavra, e tece!
Cheguemos a beijar as Mãos Sagradas,
Que enchem de gloria as immortais Moradas.
Em praticas suaves
Alli as breves horas gastaremos;
Nem já nos serão graves
Na lembrança os trabalhos que aqui temos;
Nem da pezada humanidade nossa
Pena haverá, que atormentar-nos possa.
Mas tu, que dos humanos
Reges, ó Grande Deos, a dubia sorte;
Tu, que a meta dos annos
Firmas, descendo de teu mando a morte,
Dilata os dias do meu Licio, em quanto,
Douto me instrue, e me entertem seu canto.
FIM
End of Project Gutenberg's Marilia de Dirceo, by Tomás António Gonzaga