E com isto, ó camara, adeus! Tu vaes regressar em breve da scena parlamentar—onde boiaste por algum tempo,impertinente e inutil, como uma mosca caida sobre uma taça de creme—para o refugio inviolavel da vida intima. Vae em paz, amiga; volta aos cuidados bucolicos e simples das tuas couves, á guarda intelligente e pacifica do teu gallinheiro, aos succos do teu lombo de porco, á frescura do teu bragal, aos teus bons lençoes duradouros e fartos, recolhidos na grande arca e fortemente perfumados com os doces cheiros nativos do linho, do feno e da maçã camoeza!

Vae, ó camara, e se queres um bom conselho, ouve-o: não tornes cá!

Para se viver no grande meio sempre ruidoso, sempre agitado, sempre coberto de luz de um foco civilisador, é preciso que se tenha uma d'estas coisas: um nome, uma fortuna, um talento, uma aptidão; que se seja uma causa de actividade ou um instrumento de trabalho: um operario, um capitalista ou um sabio.

Ora nenhuma d'aquellas coisas tu tens, e nada d'isto tu és.

Profundamente mediocre, o teu destino é seres profundamente obscura.

Uma coisa extremamente difficil, que não conseguirás nunca, é fazer leis; mas ha outra coisa muito facil, para que tu estás superiormente habilitada e a que deves de todo em todo consagrar-te,—é não as fazer.

Não fazer leis, ó camara, eis a tua especialidade! cultiva-a, e serás grande.

Não fizeste nada, não sabes fazer coisa alguma, não representas nenhuma grande coisa que antes de ti se fizesse? Não é verdade isto?! Pois bem, no mundo moderno, na sociedade actual, quem está n'esse caso só tem um meio de não ser ridiculo:—é ficar em casa.

Cá fóra quem não domina e governa a critica tem de sujeitar-se a ser trinchado por ella.... Fica pois em casa, tranquilla no teu rapé e no teu voltarete.