Teem duas refeições por dia. Ao almoço arroz e feijões. Ao jantar feijões e arroz.

Carne fresca ou salgada, de boi, de carneiro ou de porco nunca comem. Nunca bebem vinho.

O rancho é fornecido pela cosinha do Limoeiro. Isto precisa de ser dito duas vezes. O rancho é fornecido pela cosinha do Limoeiro. É o menu da enxovia. Se é mau na cadeia, imagine-se o que poderá ser na casa de correcção!


Dormem, aos grupos de oito, em camaratas, onde ha, em cada uma, oito camas e uma latrina.

Na camarata não ha luz. A porta é fechada por fora á chave.

Não ha vigilancia alguma durante todo o espaço de tempo que decorre dentro d'aquellas podridões, desde que anoitece até que rompe o sol. Apenas, fora do corredor que dá passagem para os dormitorios, dorme um guarda no seu quarto. Este guarda teve a bondade de nos dizer que, sempre que havia desordens nas camaratas, elle intervinha com o rigor da sua auctoridade por isso que, concluiu elle, quem dá o pão dá o ensino.

Cremos piamente que este guarda está convencido de que quem dá o pão em Portugal á infancia criminosa é elle. O ensino pelo menos é exclusivo de sua mercê.


A direcção geral da prisão está confiada a um homem que não sabemos quem é, nem quem foi, nem quem poderá vir a ser. O que sabemos, e isso nos basta, é que esse director ganha—cinco tostões por dia!