E então os direitos do talento? E as rehabilitações pelo amor?...

Oh! meus senhores, mas desde 1830 que os romancistas e os dramaturgos pouco mais teem feito do que procurar convencer a sociedade d'esses direitos e d'essas rehabilitações, ao passo que a sociedade tem constantemente e invariavelmente refutado sempre os romancistas e os dramaturgos!

Não lhes parece que vae sendo tempo de darmos a velha questão por discutida?...


Não! não é para que nos tragam o premio da austeridade e da virtude! Não somos nós os que fugimos para a Thebaida, a flagellar o nosso pobre corpo, ao aspecto das peccadoras espirituosas a cujos pés passou a sua vida, em extase, a geração litteraria que nos precedeu. Sómente para que levemos a essas damas a visita da arte, achamos de bom gosto deixar arejar um pouco os tapetes em que estiveram por tanto tempo prostrados os nossos antecessores.


Chegamos do palacio das Janellas Verdes. Vimos de assistir ao leilão do espolio de sua magestade a imperatriz, ultimamente fallecida.

Grandes salões enormes, altos, quadrados, angulosos,—á marquez de Pombal.

Nas salas de honra, estofos de damasco e moveis do primeiro imperio, no estylo chato, parvennu, pretencioso, mas rico, do seculo de Bonaparte, esse Luiz XIV de caserna.

Mesas, sophás, tremós, de fórmas rectangulares, riscados pela regoa, guarnecidos de columnas parallelas, de capiteis de bronze.—O que quer que seja de fortaleza, de baluarte, de ariete, de escudo, e de templo do genio!