Duqueza—Nada hei.
Pagem—Hão, quiçá, offendido-vos outra vez?
Duqueza—Não hão. Pagem, havereis de volver a casa do sr. D. Theodosio.
Pagem—Visto que não heis de mim de, senhora minha, haja de se cumprir vossa vontade! Haverei força, haverei de havel-a ... Manhã, ao toque de prima, serei partido. De nada mais heis mister?
Duqueza—De nada mais hei, pagem; e a Deus prasa que jámais haja de haver! Idevos presto a D. Theodosio, consoante-vos hei di-lo pouco ha.
Pagem—Em mim havei fé, minha senhora ama: eu me vou.
(Saem ambos, cada um por seu lado, meditabundos.)
A entrevista que dá causa á vingança do duque não a tem Alcoforado com a duqueza mas sim com uma das suas damas. Em toda a peça, finalmente, a duqueza, nem por carta, nem de viva voz, nem de simples ôlho, tem para Antonio uma palavra, um aceno, um gesto, em que se presinta de leve que seja a exhalação da perfidia.
O sr. Ansúr é menos complacente com os seus personagens, como vamos ver.