SUMMARIO

Alexandre Herculano. O escriptor e o solitario de Valle de Lobos. A critica dos vivos e a critica dos mortos. A benevolencia e a justiça. A influencia que teve e a que podia ter o grande escriptor. A missão dos mestres O monumento da imprensa.—A recente [viagem] de suas magestades e altezas. No Bussaco, em Vidago, no Porto. Algumas notas aos annaes d'essa excursão.—Os attentados do sr. [Barros e Cunha] e a historia d'este personagem. O poeta lyrico, o deputado, o leitor do [Times], o cortesão, o ministro. Diagnostico e prognostico.—Algumas producções musicaes: [As cutiladas do Passeio Publico], polka; [A Roma! a Roma!] valsa.—Algumas palavras aos srs. [advogados].—Os exames das [meninas] no Lyceu Nacional. Os fins da educação. Um programma de ensino para o sexo feminino. Como se prepara a emancipação da mulher. Duas catastrophes: o estado da litteratura feminina e o estado da cosinha nacional. Grito afflictivo do paiz: Menos odes e mais caldo.

O homem que teve na terra o nome glorioso de Alexandre Herculano pertence ao dominio da posteridade desde as 10 horas da noite de hontem, 14 de setembro de 1877.

Os que houverem de julgar na historia essa poderosa personalidade terão de considerar que dois cidadãos, inteiramente diversos, existiram na terra, succedendo-se um ao outro no individuo d'aquelle nome.

Um d'esses cidadãos é o historiador da nacionalidade portugueza e da inquisição em Portugal, o romancista do Monasticon, o poeta da Harpa do Crente, o profundo pensador, o sabio archeologo, o paciente erudito, o critico penetrante, o valoroso trabalhador, o grande artista, o inimitavel mestre.

O segundo dos cidadãos que passaram no mundo sob o nome de Alexandre Herculano é simplesmente o illustre solitario de Valle de Lobos.


Extranha evolução d'um mesmo ser! Aquelle que na primeira metade da existencia representa todas as vivas energias por meio das quaes o espirito póde actuar no impulso d'uma civilisação e no aperfeiçoamento d'uma sociedade, não é no segundo periodo da sua vida senão o objecto passivo e inerte d'uma designação ascetica, imposta pela banalidade rhethorica dos noticiarios—o solitario illustre!