E' indespensavel que de uma vez e para todo o sempre a gente acabe de se compenetrar bem de uma coisa. E vem a ser: Que os governos não entendem, nem podem entender nada, pela palavra, acerca de bispos.
Os bispos—dizem-o todos os textos canonicos—são os pastores das almas, incumbidos pelo Espirito Santo de governar a Egreja de Deus. E' n'elles que reside a plenitude do sacerdocio, a posse inteira dos poderes confiados por Jesus Christo aos apostolos. Elles não podem ser considerados senão como puros e legitimos delegados do chefe supremo da Egreja, por elle encarregados de manter a continuidade do sagrado ministerio, de presidir, de governar e de julgar em seu nome e em nome de Deus, de quem o papa é o representante visivel na terra.
Ora, se são effectivmnente as ideias, os sentimentos, as aspirações, os interesses do Summo Pontifice e não os do snr Julio de Vilhena que os bispos teem de representar, de deffender e de servir, como é que querem, de boa fé e francamente, que seja o snr Julio de Vilhena e que não seja o papa quem escolha os individuos encarregados de similhante missão?
Que os bispos saiam melhores ou saiam peiores, escolhidos pelo nuncio de Sua Santidade ou escolhidos pelo ministro de sua magestade fidelissima, que é que teem com isso os jornalistas republicanos e livres pensadores?...
Pergunta-se uma coisa a estes jornalistas:
Foi para intervir nos mais perfeitos methodos de fazer padres, de dar ordens, ou, de ministrar sacramentos, que suas excelencias se fizeram livres pensadores? Mas escusavam então de se incommodar para isso, prejudicando-se consideravelmente nos meios de acção, de que para tal fim disporiam continuando a ser mesarios da freguesia das Chagas ou irmãos do Senhor dos Passos da parochia das Mercês!
Teem, por ventura, estes philosophos democratas e materialistas pretenções secretas pendentes do governo das deoceses do reino?
Vejamos, sinceramente: