Vossa real magestade
Dirá tudo o que quizer,
Mas eu espero a Beltrão...
Que se conheça a maldade,
De quem se hade conhecer.
(Aqui se vae Ganalão: e vem dois Embaixadores mandados pelo Marquez de Mantua, chamados Dom Beltrão e Duque Amão: e virão vestidos de dó)
Beltrão:
Gram Cezar Octaviano,
Magno, augusto, forte rei,
Grande imperador romano
Amparo da nossa lei,
Poderosa magestade,
Senhor de toda a Magança,
Da Gascunha e da França,
Gram patrão da christande,
Esteio da segurança!
Pois sois senhor dos senhores,
Imperador dos christãos;{[84]}
Somos vossos servidores,
Amigos leaes e sãos.
Imperador:
Eu me espanto, Dom Beltrão,
De vos vêr d'aquella sorte,
E a vós forte Duque Amão,
Não é esta disposição
E trajo da nossa Côrte.
Duque:
Muito mais será espantado
De nossa triste embaixada,
E do caso desastrado,
O qual lhe será contado,
Se seguro nos é dado.
Imperador:
Bem o podeis explicar
Sem ter medo, nem temor.
Para que he assegurar?
Pois sabeis que o embaixador
Tem licença de falar.