VOLUME II—CANCIONEIRO POPULAR, colligido da tradição oral. Reliquias da poesia portugueza do seculo XIV a XVI. Sylva de cantigas soltas, Fados e Canções da rua, Orações, Prophecias nacionaes, Proverbial de aphorismos poeticos da lavoura. VII, 223 pag. Coimbra, 1867.

VOLUME III—ROMANCEIRO GERAL, contendo a Flor dos romances anonymos dos cyclos Bretão e Carlingiano; e um Vergel de Romances mouriscos, Contos de cativos, Lendas piedosas e Xacaras, com sessenta e uma notas extensas sobre as origens de cada romance, VIII, 224 pag. Coimbra, 1867.

VOLUME IV—CANTOS POPULARES DO ARCHIPELAGO AÇORIANO, Cancioneiro das Ilhas: Rosal de Enamorados, Serenadas do luar, Doutrinal de Orações. Romanceiro de Aravias: Enselada de Romances novelescos, Primavera de Romances maritimos, Rosa de Romances mouriscos, Silva de Romances historicos, Coro de Romances sacros, Enseladilha de romances entretenidos. Com oitenta e cinco notas sobre as origens e paradigmas das varias cantigas e romances, XVI, 478 pag. Porto, 1869.

VOLUME V—FLORESTA DE VARIOS ROMANCES com forma litteraria. Estudo sobre as transformações do romance popular do seculo XVI a XVIII.—Romances com forma litteraria doseculo XVI e XVII—Romances da Historia de Portugal, tirados das Colleções hespanholas. LIII, 218 pag. Porto, 1869.

Desde 1867 até 1869 entrou em curso de publicaçäo o livro dos cantos populares da nação portugueza; eis finalmente completo o quadro das antigas tradições epicas da edade media, ainda hoje repetidas pelo nosso povo com esse colorido de maravilhoso e da aventura do genio celtico. Todas as provincias do reino e ilhas dos Açores contribuiram para o monumento do seu Cancioneiro e Romanceiro geral; a Beira Baixa, interrogada por differentes collectores, apresentou as velhas rhapsodias, em um grande estado de perfeição, rivalisando com os mais velhos romances hespanhoes, e ás vezes completando-os, como se vê pelo romance de conde Grifos Lombardo; logo depois, Traz-os-Montes, é a mais rica de lendas cavalheirescas, introduzindo principalmente em cada romance o elemento do maravilhoso e do milagre, como se vê no romance da Justiça de Deos e do Conde Ninho. O Algarve deu as lendas religiosas dos primeiros seculos da monarchia, e as zambras mouriscas, similhantes á aventura do mouro Galvan. A provincia do Minho contribuiu com as lendas piedosas dos santos e da hospitalidade. Coimbra, a terra das serenadas e das cantigas, deu a mais vasta collecção da Sylva, verdadeiro colar de perolas, a que o povo prendeu a historia dos seus amores. Sobre tudo, a genuina poesia popular portugueza foi encontrada no estado da inteireza e rudeza primitiva, nas Ilhas dos Açores; ali a tradição está pura e simples, como nos fins de seculo XIV, quando começou a elaboração poetica do Romanceiro da Peninsula; a linguagem d'ella é esse portuguez archaico do tempo do Cancioneiro de Resende; conserva ainda a designação de aravias, que revela o segredo da sua origem mosarabica; n'ella se encontram allusões sem numero aos costumes juridicos das Cartas de Foral, por onde se determina a epoca da sua formação, por isso que nas ilhas dos Açores nunca existiram foraes com o caracter politico e revolucionario que tiveram no seculo XII e XIII. Todos estes diversos cantos epicos da tradição portugueza foram estudados e comparados com a totalidade dos cantos epicos dos romanceiros do Meio Dia da Europa, descobrindo-se ás vezes debaixo de forma novellesca os factos historicos que tem passado até hoje como desapercebidos; acham-se classificados com o maior rigor, adoptando como base os trabalhos de Jacob Grimm, Lafuente y Alcantara e Don Agustin Duran.

No ultimo volume recentemente publicado, a Floresta de Romances, se mostra como o romance rude do povo foi imitado pelos nossos quinhentistas e seiscentistas e como lhe imprimiram uma fórma culta e litteraria, substituindo aos grandes e profundos traços dramaticos a expressão subjectiva e um exagerado lyrismo. O quadro termina no principio do seculo XVIII, justamente quando o romance caiu outra vez em desuso, ficando privativamente das classes baixas. O Cancioneiro e Romanceiro geral portuguez é tão vasto, como a gigante collecção hespanhola, se attendermos a que n'este o numero dos romances anonymos, ou perfeitamente do povo, não se eleva a mais de cem, que outros tantos repete a tradição portugueza. Este trabalho lento, completado com mais de dez annos consecutivos de esforços, e com sacrificios pecuniarios, tem encontrado em Vienna, em Paris e em Madrid um acolhimento, que compensa o collector da indifferença que a imprensa e o publico portuguez, por malevolencia ou por incapacidade tem manifestado. No momento em que um povo se extingue ai ficam recolhidos os seus cantos; praza a Deos que o que se recolhe como um despojo da ruina, seja um incentivo de renovaçao.

A obra está á venda em todas as livrarias; avisam-se os senhores subscriptores, para virem receber o ultimo volume da collecção.

Preço da obra completa 2$500