A diminuição do dominio no exterior e a fraqueza do poder no interior, fizeram que a Phenicia fosse successivamente invadida pelos Assyrios, pelos Babylonios e pelos Egypcios. Do dominio d'estes tres povos passou depois ao dos Persas, a que se submetteu voluntariamente, e porfim veio a ser conquistada por Antigono, um dos generaes de Alexandre Magno, que a assediou com uma numerosa frota e a venceu, passando ella ao dominio d'aquelle imperador, que substituiu na Asia a dominação dos Persas.

[CAPITULO V
OS CARTHAGINEZES]

Crê-se geralmente que a cidade de Carthago foi fundada, (como acima dissémos) por Dido, pelos annos 888 antes da era christan; comtudo ha quem affirme que ella havia sido edificada antes, pelos annos 1059, por uma colonia phenicia de Tyro.

Seja como fôr, o que é certo é que os Carthaginezes apparecem-nos, pelos annos de 540 antes de Christo, constituindo já uma republica de certa importancia. N'essa epocha alliaram-se com os Etruscos e forneceram-lhes trinta navios para o ataque da Corsega.

A republica de Carthago tinha um senado e duas assembléas populares, que elegiam os magistrados incarregados da administração civil e os generaes incumbidos do commando dos exercitos. O senado era formado por todos os cidadãos notaveis por sua edade, nascimento, riqueza ou merito pessoal.

Carthago, nas suas guerras, empregava unicamente soldados extrangeiros assalariados, para não despovoar a republica que occupava apenas uma limitada área de 75 leguas quadradas, e para que os seus cidadãos não abandonassem o commercio, que era a fonte da riqueza e do poderio do estado. A Numidia e a Hespanha forneciam-lhe a sua cavallaria;{30} a Gallia, a Liguria e a Grecia, a sua infanteria; e as ilhas Baleares, os seus fundibularios, tão notaveis pela destreza.

Os Carthaginezes foram senhores da Sardenha; tiveram estabelecimentos seus na Hespanha e na costa da Sicilia. Eram habeis e ousados navegadores,—o que, junto á vantajosa posição geographica de Carthago, foi causa do seu ingrandecimento e riqueza.

Durante dois seculos viveram em paz com os Romanos, com os quaes celebraram tratados, que estabeleciam os limites reciprocos da navegação e regulavam o commercio entre aa duas republicas. Mas a crescente prosperidade de Carthago começou a inspirar inveja aos Romanos, e esse sentimento mais tarde ou mais cedo devia accender a guerra entre as duas nações. Foi o que succedeu.

Tendo-se originado guerra na Sicilia entre os Mammertinos e Hierão (rei de Syracusa), pediram os primeiros soccorro aos Romanos, emquanto Hierão recorreu ao auxilio dos Carthaginezes. Tal foi a causa das guerras entre Carthaginezes e Romanos, conhecidas pelo nome de guerras punicas (do latim P[oe]eni, que a principio queria dizer «Phenicios», mas que mais tarde se ampliou em significação, comprehendendo os Carthaginezes). Houve tres guerras punicas designadas por sua ordem chronologica: primeira, segunda e terceira.

A primeira guerra punica durou do anno 264 a 241 antes de Christo. N'ella os Romanos, comquanto muito menos prácticos do que os Carthaginezes na arte de navegar, começaram por uma brilhante victoria naval. Perto das ilhas de Lipari, batteram a frota de Carthago e metteram-n'a a pique. A frota romana era commandada por Duilio Nepote, a quem por isso Roma ergueu uma estatua. Cornelio Scipião, general romano, expulsou os Carthaginezes da Corsega e da Sardenha. E Regulo, depois de tomar Chypre, chegou triumphante deante de Carthago; mas, vencido por sua vez por Xantippo (general lacedemonio que fôra em soccorro dos Carthaginezes), foi aprisionado. Inviado, sob palavra, a Roma para que negociasse a troca dos prisioneiros, Regulo aconselhou, pelo contrario, o senado a que não intrasse em taes negociações,—pelo que, voltando a Carthago, soffreu morte cruel.