Seu filho Xerxes, que lhe succedeu, poz-se á frente d'aquelle numeroso exercito, cuja força alguns historiadores elevam a 1.700:000 homens, e de uma esquadra de 1:200 navios,{36} dirigiu-se a atacar a Grecia para vingar a derrota de seu pae em Marathona; mas foi completamente derrotado na batalha de Salamina, e teve que tornar a passar o Hellesponto. No anno seguinte, novo exercito, commandado por Mardonio e inviado com egual intento contra a Grecia, foi desfeito junto de Platéa por Pausanias (general da Lacedemonia), e por Aristides. Xerxes veio a morrer assassinado, no vigessimo anno de governo, por Artabano (capitão da sua guarda). Succedeu-lhe seu filho Artaxerxes que, constrangido por Cimon (filho de Milciades), que o venceu perto de Chypre, teve que dar a liberdade aos Gregos da Asia.

Depois d'elle reinou Dario II, que se alliou com Sparta contra Athenas; e a este succedeu Artaxerxes Mnemon, cujo irmão, Cyro o Moço, se revoltou contra elle, com o concurso de tropas gregas, terminando a revolta pela batalha de Cunaxa, em que aquelle principe foi morto, facto a que se seguiu a celebre «retirada dos dez mil» picturescamente descripta pelo historiador Xenophonte.

Pela paz de Antalcidas os Gregos da Asia tornaram a cahir sob o jugo dos Persas—cujo imperio se ia, comtudo, progressivamente infraquecendo. O ultimo rei foi Dario Codomano, no principio de cujo governo foi a Persia invadida pelas tropas de Alexandre Magno, o qual, nas tres batalhas de Granico, do Isso, e de Arbella, destruiu todo o poder d'aquella nação, que na ultima d'ellas se rendeu á discreção do vencedor.

Durante seis seculos permaneceu a Persia confundida no immenso imperio dos Parthos; mas, no anno 228 da era actual, Artaxerxes, filho de um simples soldado, tendo-se elevado pelos seus meritos ás mais altas dignidades, levantou os Persas contra Artabano, ganhou diversas victorias e, sendo acclamado rei, fundou o segundo imperio persa. Depois de haver reinado treze annos, com muito discernimento e prestigio, morreu, legando a corôa a seu filho Sapor. Este devastou a Mesopotamia, a Syria e a Cilicia; e ter-se-ia tornado senhor de toda a Asia, se Odenato, rei de Palmyra e alliado dos Romanos, não tivesse obstado á continuação das suas victorias e conquistas. Aprisionou o imperador romano Valeriano ao qual, depois de o conservar por algum tempo captivo, mandou esfollar em vida. Sapor foi, por sua vez, vencido por Odenato; e, tendo regressado aos seus estados, foi pouco depois assassinado. Depois d'estes acontecimentos foi successivamente infraquecendo o segundo imperio persa. No seculo IV da era christan Sapor II tornou a fortalecêl-o com suas conquistas,{37} mas por pouco durou essa epocha de renascimento. O imperio recahiu bem depressa, e a decadencia foi progredindo até ao momento em que no seculo VII a Persia foi subjugada pelos Arabes.

Os Persas foram celebres no tempo de Cyro pela sua austeridade e pela sua coragem. As creanças (segundo conta Platão) recebiam uma educação propria para d'ellas formar bons cidadãos, uteis á patria. Até á edade de dezesete annos permaneciam fóra da casa paterna, intregues a educadores, especialmente incumbidos de lhes inocularem no espirito os dictames da coragem e da virtude.

O imperio era dividido em provincias, governada cada uma por um satrapa, que recebia directamente ordens do rei. Era tida em especial consideração a agricultura, e muito honrados os que a exerciam; os cultivadores mais activos e laboriosos eram recompensados e admittidos uma vez em cada anno á mesa do soberano. A administração da justiça estava confiada a varões sabios e prudentes, e os juizes que prevaricavam eram punidos com a pena de morte. A legislação não se limitava a comminar penas contra os crimes e delictos; tratava tambem de os evitar, inspirando o horror ao vicio e o amor á virtude.

Os Persas eram monotheistas; adoravam uma só divindade, que era Mithra (o Sol); os emblemas da omnipotencia do Creador eram entre elles os fogos sagrados, mantidos com o maior respeito e solicitude. Os magos, ou sacerdotes, eram homens notaveis pelo seu saber, pela sua gravidade e pela austeridade da sua vida; eram os sabios e os jurisconsultos da nação.

Depois da epocha de Cyro, intregaram-se os Persas a todos os excessos de devassidão; dissolveu-se a disciplina do exercito; os grandes da nação abandonaram a existencia viril, que os distinguia, e cahiram na inacção e na ociosidade, o que foi uma das principaes causas da decadencia e da quéda, do imperio.{38}

[CAPITULO VIII
OS INDIOS]

Dá a Geographia a denominação de India a uma extensa peninsula, situada ao sul da cordilheira do Himaiaya, que é uma das de maior altitude no mundo. Divide-se a peninsula em tres regiões differentes:—1.ª, o Hindustão propriamente dito, constituido pelo territorio das duas bacias do Indo e do Ganges;—2.ª, o Deccan, peninsula situada ao sul d'aquella região e que termina no cabo Comorim;—3.ª, a India central, constituida pela zona de planaltos, que se extende, do occidente para o oriente, desde o mar de Oman até ao golpho de Bengala.