Como as penhas, que o raio despedaça,

Ou como as folhas que desprende o outono.

E ri-me. O vérme insano, o rei obscuro

Por suas mãos em farça vil coroado,

Imaginar-se um deus, lêr no futuro,

E erguer aos astros pavoroso brado!

Elle, que ao teu clarão surgindo ufano

Do seio inerte da brutal materia

Nem vê nos céos, nos montes, no oceano

De seu fadario horrivel a miseria!