Deux, ou trois jours après, le père qui se promène
A vu le tombeau frais... «Mon pèr’si vous m’aimez,
Faites ouvrir la tombe;
J’ai fait trois jours la morte pour mon honneur garder.
Nos Canti populari, raccolti da Oreste Marcoaldi (pag. 163) vem um romance similhante, na colleção de Caselli (Chans populaires d’Italie, pag. 203), que o dá como do reproduzido Piemonte.
9—Romance da Romeirinha—O grande uso das peregrinações e romagens como pena ecclesiastica e civil na edade media, produziu uma tal perturbação na familia, que muitas vezes os maridos vieram encontrar as mulheres já casadas; tudo isto originava muitas tradições. A promessa de romaria era tambem hereditaria como o castigo na penalidade heroica; Josselin fica herdeiro da peregrinação á Terra santa, que seu pae promettera. No testamento de el-rei D. Diniz se lê: «Item, mando que um Cavaleiro, que seja homem de boa vida, e de verguença, que vá por mi á Terra Santa dultramar, e que estêe hi por dous annos compridos se a cruzada for servindo a Deos por minha alma etc.» (Provas da Historia Genealogica, por Antonio Caetano de Sousa, t. I, pag. 101.) As mulheres tambem faziam romarias, e, expostas aos perigos da estrada e da pirataria, não poucos romances tiveram origem das situações difficeis por que passaram. Nos nossos romances do Conde Preso, se vê o fundamento d’aquella carta que escreveu San Bonifacio a Guthbert, bispo de Cantorbery, ácerca das romarias das mulheres: «A maior parte d’ellas succumbem e muito poucas voltam com a sua castidade.»[1] As leis protegiam os peregrinos, coadjuvadas pelas excommunhões dos canones dos Concílios. A lei bávara diz: «Que ninguem faça mal ao estrangeiro, porque uns viajam por Deos, outros por necessidade, e todos precisam de paz». O concilio de Latrão em 1123 excommunga os que vexarem os peregrinos que vão a Roma ou a outro qualquer logar de devoção. No romance portuguez de Dom Garfos, o conde é enforcado por ter violado a romeira de Sanct’Iago. Este romance da Romeirinha, que anda na tradição oral de Trás-os-Montes e Minho, encontra-se tambem, na parte essencial da acção, com alguns romances populares da Italia. Pode-se apresentar como o typo dos romances communs ao Meio Dia da Europa; o cavalleiro Nigra e Du Puymaigre determinaram os paradigmas.
M. Amador de los Rios, nos romances asturianos, que publicou em 1861 no Jahrbuch, traz um em tudo similhante ao nosso; refiro-mo ao essencial da acção. (Vid. Du Puymaigre, t. II, p. 465.)
O Rico Franco do Romanceiro hespanhol (Du Puymaigre, 406) a Montferrina (Caselli, pag. 190), O Corsario (Du Puymaigre, t. II. p. 406), Le beau Marinier colligido de Beaurepière, e o Barzas Breiz, appresentam bastantes situações identicas.
10 e 11—Romances da Infanta de França—A versão da Beira-Baixa é notavel por appresentar uma fusão natural de dois romances o Caçador e a Infeitiçada, que traz Garrett, (Romanceiro t. II. p. 21 e 32). O final, que não apparece em nenhuma das lições de Garrett, encontrei-o tambem em um fragmento que recebi de Penafiel. A versão da Foz tem os dois romances confundidos, e nella se nota o processo de abreviação que se dá continuamente nos romances populares. Estes mesmos dois romances vêm nos Romanceiros hespanhoes com o nome de Infantina e Romance de la Infanta de Francia. (Duran, t. I, p. 152). O espirito d’este conto meio decameronico é manifestamente de origem franceza; as nossas versões vieram-nos da tradição de Hespanha, como se vê pela perfeição d’ellas, quasi sempre mais bem acabadas do que as castelhanas. Saem da ultima demão. «A versão portugueza, segundo Fernando Wolf, está mais proxima do original francez do que da versão hespanhola. Ambas tratam o mesmo assumpto, o logar da scena em ambas é perto de Paris; a lubricidade dos Fabliaux, um tom desenvolto e a crença nas fadas, acham-se notadas no primeiro d’estes romances.» (Proben, S. 54). As duas versões que appresentamos, assignalam a influencia normanda na poesia popular portugueza. Gil Vicente no Auto dos Quatro Tempos, traz uma cantiga franceza:
Ay de la noble