Alma minha, dilata o teu coração. O teu Jesus póde fazer-te todo o bem: elle te ama excessivamente, espera pois grandes favores deste teu amante Senhor, que movido do seu grande amor, vem a consolar-te. Sim, meu amado Jesus, eu confio na vossa bondade, que entrando vós hoje no meu peito, accendereis no meu pobre coração a suave chamma do vosso amor puro, e um efficaz desejo de executar em tudo a vossa santissima vontade.

III.

ACTO DE AMOR.

Ah, Deus meu, Deus meu, verdadeiro, e unico amante da minha alma! e que mais podeis fazer, Senhor, para serdes de mim amado? Não vos bastou o morrerdes por mim; quizestes instituir esse grande Sacramento, para vos dardes todo a mim, e unirdes o vosso coração ao meu coração, ao coração de uma creatura tão má, e tão ingrata, como eu sou. Oh amor immenso! Amor incomprehensivel! Amor infinito! Um Deus quer dar-se a mim!

Alma minha, tu o crês? E que fazes? Que dizes? Ó Deus, ó Deus, ó amor infinito, unico objecto digno de todos os amores: eu vos amo com todo meu coração, amo-vos sobre todas as cousas, amo-vos mais que a mim mesmo, mais que a minha propria vida. Oh! se eu pudesse fazer que todas as creaturas vos amassem quanto vós mereceis! Ah! quem me dera amar-vos com aquelle amor, com que vos amão os Serafins; com aquelle amor, com que vos ama minha Mãe, e Senhora, Maria Santissima! Affectos terrenos, sahi do meu coração. Mãe do amor formoso, Maria Santissima, ajudai-me a amar aquelle Deus, que tanto desejais ver amado.

IV.

ACTO DE HUMILDADE.

És tu, alma minha, que vás a receber o sagrado Corpo de Jesu Christo? E és tu digna de tão alto fervor? Ah! Deus meu! Quem sou eu, e quem sois vós? Eu bem sei, e confesso, que vós sois um Deus de Magestade infinita, e inconprehensivel, e quem eu sou, vós o sabeis, Senhor.

E é possivel, meu Jesus, que vós, pureza infinita, desejeis entrar em uma alma tão impura como a minha, e que tantas vezes tem sido manchada com o lodo vil dos meus enormes peccados! Ah! Senhor, á vista da vossa infinita Magestade, e da minha grande miseria, eu me envergonho de apparecer diante de vós. O temor, e o respeito me querem separar de vós, mas, se me retiro de vós, aonde irei? A quem hei de recorrer? E que será de mim? Não, Senhor, eu não quero ausentar-me de vós, antes desejo cada vez mais avizinhar-me a vós. Venho pois, ó meu amavel Salvador, venho a receber-vos esta manhã humilhado, e confuso pelos meus peccados; mas todo confiado na vossa piedade, e no amor, que vós me tendes.

V.