ACTO DE CONTRIÇÃO.

Quanto me peza, ó Deus da minha alma, de vos não ter amado, todo o tempo da minha vida! antes, em lugar de vos amar, por satisfazer os meus depravados appetites, tantas vezes offendi, e desgostei a vossa infinita bondade. Eu vos voltei muitas vezes as costas: eu desprezei a vossa graça, e amizade. Ah! quanto me peza, Senhor! Quem me dera que se partira o meu coração de dôr! Aborreço mais que tudo, as offensas, que vos tenho feito, assim graves, como leves. Eu espero que vós já me tenhais perdoado; mas, se ainda me não tendes perdoado, perdoai-me antes que eu agora vos receba: lavai com o vosso Sangue esta alma, em que quereis vir habitar daqui a poucos instantes.

VI.

ACTO DE DESEJO.

Eia pois, alma minha, é chegada a hora feliz, na qual o teu Jesus ha de entrar no teu pobre coração. Eis aqui o Rei do Ceo, o teu Redemptor, e Deus, que já vem a ti. Dispõe-te a recebê-lo com amor. Chama por elle com efficaz desejo. Vinde, ó Jesus meu, vinde á minha alma, que muito vos deseja. Primeiro que vos deis a mim, Senhor, quero eu dar-me todo a vós. Eu vos entrego o meu miseravel coração; acceitai-o, e vinde depressa tomar posse delle.

Vinde, meu Deus, depressa, e não tardeis, unico, e infinito bem meu, meu thesouro, minha vida, meu paraiso, meu amor, meu tudo: eu quizera receber-vos com aquelle amor, com que vos recebem as almas mais santas; com aquelle amor, com que vos recebia Maria Santissima.

Virgem Soberana, e Mãe minha, eu me avizinho já a receber o vosso Filho. Dai-me, Senhora, esta manhã o vosso Jesus, como o déstes ao Santo Velho Simeão: eu das vossas purissimas mãos o quero receber: dizei-lhe que eu sou vosso servo, e devoto, porque assim olhará elle para mim com olhos mais amorosos. Assistí-me, valei-me.

ORAÇÃO.

Para antes da Communhão.

Dulcissimo, e amantissimo Senhor Jesus, a quem agora desejo receber, vós sabeis minha enfermidade, as necessidades que padeço, em quantos males, e vicios tenho cahido, e quantas vezes fui opprimido, tentado, e enxovalhado: em vós tenho toda a consolação, allivio, e remedio. Fallo com quem tudo sabe, e conhece todos os meus interiores, e só me póde perfeitamente consolar, e ajudar. Vós sabeis o bem de que mais necessito, e quanto sou falto de virtudes para dignamente vos receber. Purificai pois minha alma das manchas de minhas culpas, fazei-a digna morada vossa: communicai-lhe vossas graças especiaes, enchei-a de vossos soberanos dons abrasai-a nos incendios do vosso Divino amor; para que depois de vos receber dignamente cá na terra, chegue tambem a gozar-vos eternamente la no Ceo. Amen.