Que não ha nenhum d'elles que não sáia,
(Lus. IX, 66.)
como gente que é
De ver cousas estranhas desejosa Da terra.
(Lus. V, 26.)
Ahi encontra sempre divertimentos, e quando os não encontra, improvisa-os. Outras vezes recebe elle a bordo as pessoas de terra, e faz-lhes as honras da sua morada com a satisfação e liberalidade que o caracterisa.
As festas de bordo fazem-se sempre com a prata da casa, e comtudo é por extremo agradavel a vista que offerece um navio preparado para celebrar qualquer data memoravel, ou para festejar a visita de um personagem. Galhardetes e bandeiras com as côres symetricamente dispostas adornam os mastros; outros forram os toldos e formam sanefas pelas amuradas; lustres e troféus feitos com armas e instrumentos nauticos transformam a tolda do navio em salão de baile elegantemente adornado; os proprios pandeiros de cabos colhidos com arte desenham no nitido convez florões e iniciaes, ou servem de divans aos convidados. Os altos personagens são recebidos com marchas tocadas pelas cornetas e tambores, com musicas executadas pelas charangas, com revista da guarnição a postos de combate, com salvas de artilheria. De noite illumina-se o mar com foguetes e tigellinhas. De tudo isto fallou Camões.
Começa a embandeirar-se toda a armada, E de toldos alegres se adornou Por receber com festas e alegria;
(Lus. I, 39.)
Sonorosas trombetas incitavam Os animos alegres, resoando;