e o canhão faz ouvir tanto e tão repetidas vezes a sua voz atroadora que as festas e cumprimentos entre gente maritima são sempre

Á maneira de peleja.

(Lus., ibidem.)

Veja-se agora se n'este assumpto, aliás secundario, esqueceu ao Poeta alguma circumstancia notavel!

IV

Se dos costumes dos homens do mar passamos aos trabalhos manuaes, que constituem a parte pratica da sua arte, vamos encontrar nos Lusiadas descripções e allusões a quasi todas as fainas e manobras tão variadas, que são necessarias para fazer servir essa complicada machina que se chama navio.

É imponente o espectaculo que offerece a tolda de um navio em faina geral de fazer-se de véla. Por mais numerosa que seja a guarnição, todos tem o seu posto detalhado e todos tem que fazer. Descreve Camões essa faina da maneira seguinte:

Já nas naus os bons trabalhadores Volvem o cabrestante, e repartidos Pelo trabalho, uns puxam pela amarra, Outros quebram co'o peito a dura barra, Outros pendem da verga e já desatam A véla.

(Lus. IX, 10, 11.)

Está o ferro a pique, redobram os esforços dos marinheiros para o suspender;