(Lus. X, 90.)

Alem d'esta descripção, que é completa, ha por todo o poema allusões ao firmamento e aos seus brilhantes luzeiros, espectaculo maravilhoso e divino em que se enlevam os olhos do marinheiro durante as longas horas da noite. Citaremos apenas a allusão ao Cruzeiro do Sul:

Lá no novo hemispherio nova estrella, Não vista de outra gente, que ignorante Alguns tempos esteve incerta d'ella;

(Lus. V, 14.)

á qual se segue logo a allusão áquella parte do firmamento perto do polo sul, onde as estrellas são mais raras, e que os astronomos modernos chamam o Sacco de carvão:

a parte menos rutilante, E por falta d'estrellas menos bella, Do polo fixo.

(Lus., ibidem.)

Para acabarmos com a astronomia de Camões diremos ainda que nem sequer se esqueceu elle de fallar da nautica, parte pratica ou applicação d'aquella sciencia á navegação, a qual mais directamente ensina o marinheiro a ver em que parte está (Lus. V, 26), isto é, a pôr o ponto na carta, pois que nos falla do

novo instrumento do Astrolabio Invenção de subtil juizo e sabio;

(Lus. V, 25.)