—Rantaine, os homens da barcaça que vai chegar, sabendo o que fez ha pouco, ajudar-me-hiam a prende-lo. O senhor paga 10,000 francos de passagem ao capitão Zuela. Entre parenthesis, a passagem ficaria mais barata se tratasse com os contrabandistas de Plainmont, mas estes só o levariam para Inglaterra, e demais o senhor não póde arriscar-se a ir a Guernesey onde ha quem tenha a honra de conhecel-o. Volto á situação. Se eu disparar prendem-n'o. Nesse caso pagará a Zuela 10,000 francos de fuga. Já lhe deu 5,000 mil francos; Zuela guardará esses 5,000 trancos e vai-se embora. É isto. Rantaine acho-o bem rebuçado. Esse chapéo, esse casaco, e essas polahias disfarçam-n'o. Esqueceram-lhe os oculos. Fez bem em deixar erescer as suisas.
Rantaine sorrio como quem range os dentes. Clubin continuou:
—Rantaine, o senhor tem uma calça americana com duas algibeiras. N'uma dellas tem o seu relogio. Guarde-o.
—Obrigado, Sr. Clubin.
—Na outra ha uma caixinha de ferro batido, que abre e fecha por molas. É uma velha boceta de marinheiro. Tire-a do bolso, e atire-a para cá.
—Mas isto é um roubo!
—Póde chamar a guarda.
E Clubin fixou os olhos em Rantaine.
—Olhe, mess Clubin.... disse Rantaine dando um passo e estendendo a mão aberta.
Mess era uma lisonja.