Foi singular esse momento. Toda a gente que estava na pôpa ficou de repente sem ver a gente que ia na prôa. Tenue tabique cinzento cortou o navio ao meio.

Depois todo o navio mergulhou na bruma. O sol parecia uma lua. Subito todos começaram a tiritar. Os passageiros vestiram as capas, e os marinheiros as japonas. O mar, quasi sem uma dobra, tinha a fria ameaça da tranquillidade. Parece que ha conluio neste excesso da calma. Tudo estava pallido e enfiado. O negro cano e a fumaça negra lutavam contra a lividez que cercava o navio.

A derivação a leste já não tinha razão de ser. O capitão aproou de novo sobre Guernesey e augmentou o vapor.

O passageiro guernesiano, andando á roda da machina, ouvio o negro Imbrancam que fallava a um dos companheiros. O passageiro prestou ouvidos. Dizia o negro:

—Quando havia sol iamos devagar; agora que ha nevoeiro, vamos depressa.

O guernesiano foi ter com o Sr. Clubin.

—Capitão Clubin, não ha cuidado; mas não acha que vamos depressa demais?

—Que quer senhor? É preciso ganhar o tempo perdido por culpa daquelle bebado.

—É verdade, capitão Clubin.

E Clubin accrescentou.