—Quero chegar quanto antes. Já basta o nevoeiro; com a noite ficariamos aceiados.

O guernesiano foi ter com os maloenses e disse-lhes:

—Temos um excellente capitão.

De quando em quando ondas grandes de bruma, que pareciam cardadas, passavam e escondiam o sol. Depois o sol reapparecia mais pallido, e como que enfermo. O pouco céo que se via assemelhava-se ás fachas de ar sujas e manchadas de uma velha decoração de theatro.

A Durande passou junto de um cuter que tinha ancorado por prudencia. Era o Shealtiel, de Guernesey. O patrão do cuter notou a rapidez com que ia a Durande. Pareceu-lhe que não estava no caminho exacto; affigurou-se-lhe que obliquava a oeste. Vendo aquelle navio, andando a todo o vapor no meio do novoeiro, o homem pasmou.

Pelas duas horas a bruma era tão espessa, que o capitão foi obrigado a deixar o lugar do costume, e a aproximar-se do timoneiro. O sol desmaiára; tudo era nevoeiro. Havia na Durande uma especie de escuridão branca. Navegava-se na pallidez diffusa. Já se não via nem o céo nem o mar.

Não ventava.

A ancoreta da therebentina suspensa em uma argola ao pé da caixa das rodas já não tinha oscillação.

Os passageiros tornaram-se silenciosos.

Comtudo o parisiense cantarolava entre dentes a canção de Béranger Un jour le bon Dieu s'éveillant.