Graça e Doce advinhando que os reverendos iam despedir-se, abriram as portas.
Mess Lethierry não via nem ouvia nada.
O Sr. Jaquemin Herodes disse em aparte ao Sr. Ebenerez Caudray:
—Nem nos comprimenta. Não é tristeza, é embrutecimento. Devemos crer que elle está doudo.
Entretanto pegou na Biblia, e collocou-a entre as mãos abertas, como quem segura um passaro com receio que fuja. Esta attitude creou entre os personagens presentes uma certa espera. Graça e Doce esticaram a cabeça.
A voz de Herodes fez quanto pede para ser magestosa.
—Mess Lethierry, não nos separemos sem ler uma pagina do livro santo. As situações da vida são esclarecidas pelos livros; os profanos tem as sortes virgilianas, os crentes tem as advertencias biblicas. O primeiro livro, apanhado ao acaso, aberto ao acaso, dá um conselho; a Biblia, aberta ao acaso, faz uma revelação. É sobretudo boa para os afflictos. O que a Santa Escriptura respira indubitavelmente é um lenitivo ás dôres. Diante dos afflictos, deve-se consultar o santo livro sem escolher o lugar, e ler com candura o passo encontrado. O que o homem não escolhe, escolhe-o Deus. Deus sabe o que precisamos. O seu dedo invisivel aponta o passo inesperado que nós lemos. Qualquer que seja a pagina, rebenta-lhe luz. Não busquemos outra. É a palavra do céo. O nosso destino é revelado mysteriosamente no texto evocado com confiança e respeito. Ouçamos e obedeçamos. Mess Lethierry, o senhor tem uma afflicção, este é o livro da consolação; está enfermo, este é o livro da saude.
O reverendo Jaquemin Herodes abrio a mola do fecho, metteu o dedo ao acaso entre duas paginas, poz a mão no livro aberto, e concentrou-se; depois abaixando os olhos com autoridade leu em alta voz.
Eis o que elle leu:
«Isaac passeava no caminho que vai ter ao poço chamado Poço daquelle que vive e vê.