Costuma-se a vêr, nos velhos quadros, circulos iguaes sobre a cabeça dos santos. A differença é que são de ouro em fundo sombrio; este era tenebroso em fundo claro. Nada mais extranho. Dissera-se a aureola nocturna da grande Douvre.

O circulo abaixava-se e levantava-se; estreitava-se e alargava-se.

Eram gaivotas, goelanos, corvos, cotovias, uma nuvem de passaros do mar, espantados.

É provavel que a grande Douvre fosse a hospedaria delles, e que elles fossem buscar ahi o repouso. Gilliatt tinha-lhe tomado um quarto. Assustou-os o inesperado inquilino.

Nunca tinham visto esse homem alli.

Durou algum tempo aquelle voar assustado.

Os passaros pareciam esperar que Gilliatt se fosse embora.

Gilliatt, vagamente pensativo, acompanhava-os com os olhos.

O turbilhão volante acabou por tomar uma resolução, o circulo desfez-se em espiral, e a nuvem de passaros foi cahir do outro lado do escolho, no rochedo Homem.

Ahi pareceram consultar e deliberar. Gilliatt estendendo-se no seu buraco de granito, e pondo debaixo da cabeça uma pedra, como travesseiro, ouvio por muito tempo a conversa dos passaros, que guinchavam cada um por sua vez.