Depois calaram-se, e tudo dormio, os passaros em uma rocha e Gilliatt em outra.


[VIII]

IMPORTUNAQUE VOLUCRES

Gilliatt dormio bem. Mas sentio frio, e por isso acordou varias vezes. Tinha naturalmente os pés collocados no fundo do buraco, e a cabeça á borda. Não teve o cuidado de tirar daquelle leito uma porção de seixos agudos que não lhe davam melhor somno.

De quando em quando entreabria os olhos.

Ouvia em certos instantes detonações profundas. Era o mar que enchia e entrava nas cavas do escolho com um ruido de canhão.

Tudo alli em roda apresentava o extraordinario da visão; Gilliatt tinha a chimera á roda de si. O meio espanto da noite contribuia para que elle se visse mergulhado no impossivel. Gilliatt dizia comsigo: Estou sonhando.

Depois tornava a dormir, e sonhando então, achava-se na casa delle, na de Lethierry, em Saint-Sampson; ouvia cantar Deruchette; estava no real. Emquanto dormia acreditava estar acordado e viver; quando acordava, pensava dormir.

Com effeito, era um sonho aquillo.