Este robusto tapamento, pesada massa de pranchas, que deitado seria uma jangada, e de pé era uma parede, foi, com auxilio da vaga, trabalhado por Gilliatt com uma agilidade de saltimbanco. Podia-se dizer quasi que a cousa foi feita antes que o mar se apercebesse disso.

Era um desses casos em que Jean Bart dizia o famoso dito que elle dirigia á vaga do mar, cada vez que esquivava um naufragio: Apanhei-te, inglez! Sabe-se que Jean Bart quando queria insultar o oceano chamava-o inglez.

Tapado o estreito, Gilliatt cuidou da pança. Dividio o cabo nas duas ancoras para que ella podesse subir com a maré. Operação analoga a que os antigos maritimos chamavam: mouiller avec des embossures.

Em tudo isto Gilliatt não foi sorprehendido, o caso estava previsto; um homem do officio reconhecel-o-hia vendo as duas roldanas de guindar mettidas por traz da pança, nas quaes passavam dous pequenos cabos cujas pontas estavam presas ás argolas das duas ancoras.

Entretanto crescia a maré; já subira metade; é nesse momento que os choques das ondas, mesmo placidos, podem ser rudes. O que Gilliatt combinára realisou-se. A onda rolava violentamente para a porta, encontrava-a, inchava epassava por cima. Fóra era o marulho. Dentro a infiltração. Gilliatt imaginou alguma cousa semelhante ás forcas caudinas do mar. A maré estava vencida.


[VIII]

MAIS PERIPECIA QUE DESENLACE

Chegára o tremendo instante.

Tratava-se agora de pôr a machina na pança.