Gilliatt ficou pensativo alguns momentos, tendo o cotovello do braço esquerdo na mão direita, e a fronte na mão esquerda.
Depois subio á Durande cuja metade, que era a machina, devia sahir e cujo casco devia ficar.
Cortou os quatro cabos que prendiam a estibordo e a bombordo as quatro correntes do cano. Como era corda bastou-lhe a faca.
As quatro correntes, livres, ficaram pendentes ao longo do cano.
Do navio subio elle ao apparelho que construira, bateu com o pé em todas as pranchas, examinou as roldanas, vio as polés, apalpou os cabos, verificou as emendas, assegurou-se de que o massame não estava profundamente molhado, certificou-se de que nada faltava, nem estava bambo, depois, pulando do alto das peças sobre o tombadilho, tomou posição, ao pé do cabrestante, na parte da Durande que devia ficar nas Douvres. Era esse o seu posto de trabalho.
Grave, sentindo sómente a commoção util, lançou um ultimo olhar ao apparelho, depois tomou uma lima e pôz-se a cortar a corrente que sustentava tudo.
Ouvia-se o ranger da lima no meio do murmurio do mar.
A corrente do cabrestante presa ao cabo regulador, ficava ao alcance da mão de Gilliatt.
De repente houve um estalo. A argola que a lima cortava, já limada por metade, tinha-se quebrado; todo o apparelho estava solto. Gilliatt teve apenas tempo de agarrar o grande cabo.
A corrente quebrada bateu no rochedo, os oito cabos retezaram-se, toda a massa cerrada e cortada desprendeu-se do navio, abrio-se o ventre da Durande, o assoalho de ferro da machina, pesando sobre os cabos, appareceu debaixo da quilha.