Acalmava-se o mar. Havia porém alguma agitação ao largo, que impedia a partida immediata. Demais o dia já estava adiantado. Com o carregamento da pança, para chegar a Guernesey antes de meia noite, era preciso sahir de manhã.

Embora a fome urgisse, Gilliatt começou por despir-se, unico meio de aquecer-se.

As roupas estavam molhadas da chuva, mas a agua da chuva lavára a agua do mar, o que fez com que agora podessem sêccar as roupas.

Gilliatt apenas ficou com as calças, que arregaçou até os joelhos.

Estendeu, com pesos em cima, nas saliencias do rochedo, todo o resto da roupa.

Depois pensou em comer.

Gilliatt recorreu á faca que teve o cuidado de afiar e tel-a em bom estado, e arrancou do granito alguns mariscos. Comeu-os crús. Mas depois de tantos trabalhos, fraca era a pitança. Já não tinha biscouto. Quanto á agua, não lhe faltava. Estava mais que saciado, estava innundado.

Aproveitou a vasante para perlustrar os rochedos á cata de lagostas. Já havia muita rocha descoberta; podia apanhar boa caça.

Sómente não reflectia elle que já não podia cozer peixe algum. Se tivesse de ir ao deposito veria tudo derrubado pela chuva. O pão e o carvão estavam encharcados, e da provisão de estopa, que lhe servia de isca, não tinha um fio que não estivesse molhado. Não havia meio de saccar fogo.