De resto, o folles estava desorganisado; a tempestade saqueou-lhe o laboratorio. Com o resto da ferramenta, Gilliatt, a rigor, podia ainda trabalhar de carpinteiro, não de forja. Mas Gilliatt, naquelle momento não pensava na officina.

Empuxado pelo estomago, sem mais reflexão, entrou a procurar comida. Errava, não na garganta do escolho, mas fóra, nas dobras dos cachopos. Foi desse lado que a Durande, dez semanas antes, esbarrára nas pedras.

Para a caça que Gilliatt fazia, o exterior da viella valia mais que o interior. Os carangueijos, nas aguas baixas, tem costume de tomar ar. Aquecem-se ao sol. Amam o sol aquelles entes disformes. É uma cousa estranha a sahida delles em plena luz. Quasi indigna-se a gente com elles. Quando os vemos, com o seu aspecto obliquo, subir pesadamente, um por um, os andares inferiores dos rochedos como degráos de uma escada, acreditamos por força que o oceano tambem tem os seus piolhos.

Desses piolhos vivia Gilliatt ha dous mezes.

Comtudo nesse dia os carangueijos e as lagostas andavam escondidos. A tempestade empurrára aquelles solitarios para os seus esconderijos, e ainda não se animavam a sahir. Gilliatt tinha na mão a faca aberta, e arrancava de quando em quando uma concha debaixo do sargaço. Comia andando.

Não devia estar longe do lugar onde se perdera o Sr. Clubin.

Quando Gilliatt já se resignara aos ouriços e castanhas do mar, fez-se um movimento a seus pés. Um grande carangueijo, assustado com a presença delle tinha pulado na agua. O carangueijo não mergulhou tanto que Gilliatt não o visse.

Gilliatt começou a correr atraz do carangueijo no esvasamento da rocha. O carangueijo fugia.

De repente não vio mais nada.

O carangueijo mettera-se por algum buracco debaixo do rochedo.