Levantar-se, galgar o muro, approximar-se, dizer sou eu, fallar a Deruchette, foi idéa que não teve. Se ativesse, fugiria. Se alguma cousa semelhante a um pensamento chegou a despontar no seu espirito, era que Deruchette estava alli, que elle não tinha necessidade de mais cousa alguma, e que a eternidade começava.
Um rumor arrancou a ambos, ella do devaneio, elle do extasis.
Andava alguem no jardim. Não se via quem era por causa das arvores. Era um passo de homem.
Deruchette levantou os olhos.
Os passos aproximaram-se e cessaram. Quem quer que era parou. Devia estar perto. O caminho onde estava o banco, perdia-se entre duas moutas. Era ahi que estava essa pessoa, nesse intervallo, a poucos passos do banco.
O acaso tinha disposto a espessura dos ramos, de tal modo, que Deruchette via, a pessoa, sem que Gilliatt a visse.
O luar projectava no chão, fóra das moutas, e ate ao banco, uma sombra.
Gilliatt vio essa sombra.
Olhou para Deruchette.