Estava tal qual sahira, naquella manhã, do escolho Douvres, em frangalhos, os cotovellos rotos, a barba longa, os cabellos eriçados, os olhos queimados e vermelhos, a face esfolada, as mãos sangrentas; tinha os pés descalços. Algumas das pustulas da pieuvre estavam visiveis nos braços cabeludos.

Lethierry contemplava-o.

—É o meu verdadeiro genro. Como se bateu com o mar! está em frangalhos! Que hombros! que pés! Como és bello!

Graça correu a Deruchette, amparou-lhe a cabeça. Deruchette tinha desmaiado.


[II]

A MALA DE COURO

Desde madrugada Saint-Sampson estava de pé e Saint-Pierre Port começava a chegar. A ressurreição de Durande fazia na ilha um rumor comparavel ao que fez no meio dia da França a Salette. Havia multidão no caes para contemplar o cano que sabia da pança. Tinham vontade de ver e tocar na machina, mas Lethierry, depois de repetir, e á luz do dia, a inspecção triumphante da mecanica, tinha posto na pança dous marinheiros encarregados de impedir que ninguem se approximasse. O cano, porém, bastava á contemplação. A multidão pasmava. Só se fallava de Gilliatt. Commentava-se e acceitava-se a alcunha de engenhoso, a admiração acabava sempre por esta phrase: «Nem sempre é agradavel ter na ilha gente capaz de fazer cousas destas.»