—Como é que o senhor está aqui?
—Casem-se, continuou Gilliatt.
Deruchette começava a perceber o que lhe dizia aquelle homem. Murmurou:
—O meu pobre tio...
—Recusaria se o casamento estivesse por fazer, disse Gilliatt, e consentirá quando o casamento estiver concluido. Demais vão embarcar ambos. Quando voltarem, elle os perdoará.
Gilliatt accrescentou com um tom amargo:
—E depois, elle já não pensa senão em construir o vapor. Isso o distrahirá durante a sua ausencia. Tem Durande para consolal-o.
—Eu não quizera, balbuciou Deruchette n'um espanto misturado de alegria, não quizera deixar pesares indo-me embora...
—Não durarão muito tempo os pesares, disse Gilliatt.
Ebeneser e Deruchette tiveram uma especie de deslumbramento. Tranquillisaram-se. Na sua decrescente perturbação, iam entendendo as palavras de Gilliatt. Ainda havia alguma nuvem, mas a obrigação delles dous não era resistir ao conselho. Quem salva domina sempre. Fracas são as objecções quando se trata de voltar ao Eden. Havia na attitude de Deruchette, imperceptivelmente apoiada em Ebeneser, alguma cousa que fazia causa commum com o que dizia Gilliatt. Quanto ao enigma da presença daquelle homem e das suas palavras que, no espirito de Deruchette em particular, produziam muitas especies de assombro, eram questões á parte. Aquelle homem dizia-lhes: Casem-se. Era claro. Se houvesse uma responsabilidade era elle quem a tomava sobre si. Deruchette sentia confusamente que, por diversas razões, elle tinha o direito de faze-lo. O que elle dizia de mess Lethierry era verdade, Ebeneser pensativo murmurou: