E a custo lhe sahiam as palavras... mas a morte a nada attende... a nada! É inexoravel!
Prorompendo então em soluçoso pranto, agarrou-se a mim, convulsivamente.
—Ah! meu filho, meu Alberto! Quanto é castigada a minha soberba! Está perdido... perdido!... E por quanto tempo, por quantos dias ainda o hei de possuir?
Sacudi-o com certa energia:
—Silencio! sua senhora póde ouvil-o! Olhe, lave o rosto; esconda os signaes da sua commoção. Naturalmente exaggera o perigo...
O desconsolado pai abanou a cabeça; mas obedeceu-me oppresso e alquebrado.
II
Quando voltámos aos nossos bancos, parecia Alberto presa de agitado somno. Pelo menos, tinha as palpebras cahidas, como que prostradas por vontade alheia ao organismo.
Via-se que febre intensa lhe trabalhava nas veias—faces escarlates, beiços rubros, estremecimentos repetidos por todo o corpo, fulgurantes. Relampagos de frio—assim nos dissera—lhe zigzagavam pela espinha dorsal, contrahindo-lhe, de cada vez, os bracinhos magros, descarnados.
—Agua, agua, murmurou a custo, depois de algum tempo e abrindo com sofreguidão os labios seccos, ávidos.