Passada a estação de Belém, já noite escura, observou a mãi, para dizer qualquer cousa, que o trem não parava mais senão no Rio, no campo da Acclamação.
Contrariou-a Alberto com inesperada alacridade e, nos olhos subitamente accesos, pareceu ter singular prazer em assentar incontestavel verdade:
—Não, senhora; pára ainda em Cascadura.
E como suscitasse duvida o que affirmava, eu mesmo opinando contra elle, mostrou bastante resolução e jovialidade em sustentar a sua asseveração.
—Você não se lembra, José, que o trem de São Paulo costuma parar em Cascadura? perguntou para o molecóte, levantando-se a meio.
—Iô, nhonhô? respondeu o pagemsinho todo assarapantado, iô, não... ué!
E tal a figura atrapalhada do negrinho pela obrigação de interpôr juizo no debate, que não pudemos, todos nós, deixar de sorrir.
—Que tolinho! exclamou Alberto.
E deu uma risadinha gostosa. Depois cahiu novamente em comatoso abatimento.