Continuava, porém, José Bispo. Dava aquelle passo na certeza de ser attendido, embora muita gente certamente o devesse censurar. Não duvidava dos bons sentimentos da menina, cujos modos entretanto serviam de motivo a muitos mexericos e falatorios. Era franco. Nutria, porém, a convicção de que tudo não passava de muita mocidade. Uma vez mulher d’elle José Bispo, saberia portar-se de modo a só merecer respeito e consideração dos povos todos de Santa Rita, e onde quer que fossem parar.

certo, certo, ia affirmando a lesma da D. Cula toda a babar-se de gosto com a perspectiva de semelhante enlace, uma fortuna do céo.

Conservava-se Gêgéca retrahida, calada, com uns restos de pirão a seccar na pontasinha dos dedos.

Uma vez superados os primeiros instantes de acanhamento, falou José Bispo a valer, fazendo sobretudo alarde da sua qualidade de homem sério, de boa posição e apatacado, insistindo muito nas vantagens que desse casamento advirião para ellas duas.

Deixou até entrever, que, do seu lado, havia não pouco sacrificio.

A isso Gêgéca rompeu o silencio:

—Então, quem o mandou vir cá? perguntou desdenhosa e altiva.

Respondeu o vendeiro com sinceridade.

—A paixão, Gêgéca, a paixão! Tudo fiz para conter-me, mas não pude. Estive quasi a fugir como um perdido, alta noite. Formei mil planos... até de crimes. Achei que afinal era melhor dar o passo que dou. Se vancê me disser não, mesmo assim ficarei mais socegado. Estou disposto a tudo... comtanto que não me queira mal... não me despreze, não se volte, ao ver-me, com escarneo e nojo...

E aquelle homem brutal, violento, tinha os olhos supplicantes, cheios de lagrimas, vencido pela força da belleza, como dissera João Valentim nas suas trovas.