—É memo, é memo! concordavam e lá iam folgar no rancho a tocar viola emquanto esperavam que o Sr. doutor quizesse um bello dia, quando menos contassem, levantar o pouso.
—Mas Gêgéca, D. Gêgéca, perguntava a medo Anselmo, em certa occasião, á ciganinha pilhando-a de geito, porque é que você... a senhora... foge assim de mim?...
—Por que o doutor deseja o meu mal, a minha desgraça! respondeu a moça resoluta.
—Eu, Gêgéca, eu? protestou elle com verdadeira e sincera indignação, eu que a amo tanto, que a quero como nunca suppuz poder querer a ninguem... eu, que não durmo, não como, não tenho mais um momento de socego a pensar na senhora... sempre em si?!
—E depois?...
—Depois o que?
—Sim, depois? Para mim a vergonha, as lagrimas, o abandono... tal e qual minha pobre mãe, e tantas coitadas por este mundo de Deus!
Arregalou Anselmo uns olhos muito grandes. Sériamente cahia das nuvens, via-se rolando aos trambolhões por enormes despenhadeiros.
—Eu te juro... fiel, fiel até morrer!...
—Sim, é o que vocês homens sempre dizem; a arapuca em que todas cahem... um milhosinho pisado em troco da prisão eterna... valha-me Santa Rita!...