E arremedando o arroubo do rapaz repetiu com engraçado e fingido ardor e apertando o peito nas mãos:
—Eu te juro... fiel, fiel até morrer! E riu-se ás gargalhadas.
Em outro tom, sem transição:
—Para nós, desgraçadas, as consequencias... o luto, esse eterno riso... o peso desse gracejo... os trabalhos, nós, sobretudo, do sertão, sem ninguem que nos ampare, nos mostre o caminho direito... nenhum castigo para os homens, que têm por si a força, o abuso...
Ó ciganinha damnada! Quem te ensinou tudo isso? Em que livro foste aprender toda essa desfiada de valentes argumentos, tu que só sabias kyrielas de nomes feios e se lias era mal e mal, tão sómente lettra graúda? Muito, muito póde o bom instincto!
—Então fujo d’aqui, vou me embora, desappareço... Você nunca mais ouvirá fallar em mim... Hei de esquecel-a, logo e logo que der as costas a Santa Rita...
—Paciencia, replicou a Gêgéca, levantando os hombros, a estrada é larga, está ás suas ordens. Ninguem o agarra; olhe, eu não lhe estou dizendo de ficar...
E, com melancolia, mirando o moço bem em cheio, os olhos carregados de brandura:
—Quanto a esquecer-me, disse, é bem facil, bem natural. Que valho eu? Uma pobre rapariga da roça... filha de mulher sem marido. Mas eu lhe affianço, Sr. doutor, hei de sempre lembrar-me do Sr... viva eu cem annos...
E quedou-se uns instantes a encaral-o immovel.