N’esse tempo a gente kinikináo experimentava uma dura provança. Expulsa em principios do anno de 1865 pelo terror da invasão paraguaya que então assolára repentinamente o districto de Miranda, havia ella vagado longos mezes por matas e agruras antes de poder assentar arraiaes ao abrigo do inimigo.

Tambem quem deixára de soffrer!

A columna devastadora vinha dirigida pelo coronel Resquin que, em nome da republica do Paraguay, levára inopinadamente a guerra ao seio do Brasil.

O ataque havia sido tão pouco esperado que os batalhões paraguayos, sem opposição alguma á sua marcha de conquista, forão tangendo adiante de si toda a população tomada de sorpreza e possuida de immenso pavor.

Ao passar a divisa do Imperio, Resquin destacára de sua força de mais de cinco mil bayonetas uns seiscentos homens para irem abafar a resistencia do tenente Antonio João na colonia de Dourados.

Valente homem aquelle tenente!

Isolado no fundo dos sertões, sentinella perdida da fronteira, morreo como um heróe, ao lado de onze companheiros em quem infundira a coragem e o patriotismo que lhe inflammavão o peito.

Não podia esperar soccorro de ninguem. Encerrado em sua palissada, tinha diante e ao redor de si a immensidade do deserto.

Avisado dous dias antes, que para Dourados marchava uma força imponente, não quiz desamparar o posto. Reunio a gente da colonia e fez-lhe uma falla em que citou francez e até latim.

O homem tinha pretenções litterarias que afagava com certo orgulho, e se revelavão nos officios mensaes que costumava dirigir ao chefe militar de Nioac.