Mas, quando o inimigo se retirou aterrado, levando os feridos e mortos e suppondo haver-se batido contra uma tribu de endiabrados, Pacalalá, o valente, a gloria dos kinikináos, o orgulho de Camiran, não poude cantar victoria.

Ao passar de uma arvore para outra, uma bala o tocára no meio da testa e o atirára sem vida no chão.

Essa morte, no fim do combate, encheu os indios de pavor e, quando a noute cahio, elles fugirão todos sem levar sequer uma das rapaduras que tão caro lhes havia custádo.

Apenas chegou a infausta noticia aos aldeamentos dos Morros, levantou-se uma grita immensa. As moças kinikináos cortarão logo os cabellos na altura das orelhas e tirarão de si qualquer enfeite de ouro e prata que ainda conservavão.

A choupana de Camiran foi invadida e n’ella se erguerão gritos agudissimos, soltos pelo mulherio e crianças.

A desgraçada mãe parecia esmagada pela dôr. Nem sequer podia, como é de uso entre os seus, guiar as lamentações e contar as proezas e virtudes do morto.

Estava anniquilada.

Com a cabeça pensa sobre o peito, nada via, nada ouvia. Não chorava, não podia chorar, mas desde aquelles momentos sentio que não podia mais viver.

É n’um estado de quasi completo definhamento que encontramos Camiran no principio d’esta narração veridica em quasi todos os pontos e que terá o merecimento de fallar, pela primeira e talvez unica vez, na historia do quanto soffrerão os refugiados de Miranda, e sobretudo nas façanhas do desconhecido Pacalalá.