O combate do porto de Maria Domingas—que combate deve ser o qualificativo adequado áquelle encontro—fez com que, durante muitos mezes, cessasem as correrias dos indios até as planicies e mata do Aquidauána.

Afinal recomeçarão ellas, e um terena achou-se com coragem para se arriscar até o lugar em que havia valentemente guerreado.

Trouxe a noticia de que o cadaver de Pacalalá não soffrera decomposição, mas estava secco e mirrado como se fôra uma mumia[20].

Com isso novamente alvorotou-se o aldeamento kinikináo. Forão gritos horriveis, gemidos, ululações que se ouvião em distancia consideravel.

Camiran, que passara todo aquelle tempo, longos e longos mezes, mergulhada na dôr que a ia matando, foi consultar um feiticeiro e saber o que significava aquillo.

O nigromante declarou-lhe positivamente que aquelle corpo, emquanto não fosse enterrado, reteria em duro captiveiro a alma de Pacalalá.

Então Camiran tomou inabalavel resolução: ir entregar o cadaver do filho á terra.

Sem dizer nada a ninguem, desappareceu da aldêa.

Caminhou ou melhor arrastou o debil corpo até o porto de D. Maria Domingas.

Quando avistou aquelle cadaver amado, pareceo-lhe que a natureza toda, as arvores, os montes, os rios, soltavão um brado unisono de agonia, e que o seu coração era o unico e immenso echo.