Ao longe, muito ao longe, quem sabe onde, via-se um clarão, cuja luz apezar da distancia incommensuravel, não podia ser fitada.
Alli ficava o throno do Senhor e no ether illimitado, indefinido, échoava uma musica suave, mas que abalava a coragem a mais indomita e quebrava-lhe toda a força.
—Que clarão é aquelle? perguntava o vigario á morte.
O silencio é que respondia.
—D’onde partem essas melodias estranhas? indagava elle ainda.
E sempre o silencio.
Voavão, comtudo, sem cessar, á direita e á esquerda, acima, abaixo, por todos os lados, almas e mais almas que subião, subião, umas rapidas e velozes, como anciosas de chegarem e desferindo faiscas de luz, outras pesada e penosamente, deixando após si um sulco escuro, quasi negro.
No fim de muitos dias, o vigario das Dôres como que acordou de um sonno profundo.
Estava salvo!