E com tal não padecia o serviço: nem capataz nenhum se gabava de o haver pilhado a cochilar.

Não era rapaz de brigas e mexericos: sabia dar-se ao respeito e se não andava com os chefes e superiores a mostrar os dentes em risótas, nem por isso era carrancudo e malcriado.

Na sua guaiáca havia sempre alguma pratinha de sobresalente para não parecer unhas de fome e mofino quando tinha de pagar a pinga aos companheiros da carreira.

Nunca se mettia em pandegas grossas, nem em jogatinas de estouro; mas ninguem o podia alcunhar de enjoado, porque nos dias de mareta era boa perna para o pagode.

Engraçado e farçola n’isso fazia figas, tanto assim que as raparigas dos povoados, quando chegava alguma tropa, ião perguntar noticias de Juca Ventura, pelo que não faltava quem levasse a mal aquellas fallas de pura amisade.

É porque n’este mundo de Deus ha muita lingoa maldizente que quer botar malicia em tudo, malicia que só existe no juizo enviezado e falso dos falladores.

Juca Ventura, é certo, brincava com as moças das villas e povoações, algumas até bem bonitas; mas era negocio de simples palavreado, e nenhuma d’ellas poderia com verdade dizer que o ouvira fallar de amor, ou fazer alguma promessa.

Não, senhor! Quem tal dissesse, mentiria como um perdido.

Se o tropeiro era estimado, não erão só raparigas novinhas que lhe mostravão agrado e sympathias; as velhas tambem lhe querião bem e quando elle cruzava por diante de qualquer casa da estrada, não havia quem deixasse de o saudar com boas maneiras e franqueza.

E a razão era uma.