É que não se passava uma viagem ou do sertão para o mar ou de lá para cá, em que elle viesse de mãos abanando. Sempre trazia alguma lembrança para as suas conhecidas, ora uma cousa, ora outra, e houve até occasião em que deu de presente uns córtes de fazenda fina e algumas jardas de fita muito vistosa e larga.
E depois não querião que fosse estimado!
Fizessem os invejosos como elle: tratassem a todos conforme os seus merecimentos. Mas por estes mundos afóra não falta quem metta a catana nos mais sem ter meios de praticar, já não se quer melhor, mas até igual.
E porque havia Juca Ventura de andar pelos caminhos a arrastar a aza e a fazer pé de alferes pelos pousos, como se fôra algum rufião mal intencionado que botasse a perder as coitadinhas sem experiencia?
Nada, Juca o tropeiro havia já dado o coração á uma pessoa; e quando um homem de vergonha estima devéras uma mulher, esse amor não consente outro: é o unico na vida.
Nem havia mais segredo.
Só não sabia quem não queria, que em Uberaba é que morava aquella moça, que se chamava Balbina do Canto, porque o pai, sapateiro de officio e já fallecido, havia morado n’uma esquina de becco, que ella era rapariga de truz, morena, mas corada, de muito proposito e composição e de quem lingoa nenhuma tinha tido a pouca vergonha de dizer a mais pequena cousa.
Quem é que não sabia d’isso?...
Quem é que não conhecia a mãe d’ella, D. Cula[21], senhora capaz de revirar com um peteléco o patife que quizesse vir se engraçar com a filha?