Agora o caso mudava de figura, e para prova é que elle tratou logo de preparar um montesinho de prata já com vista nos gastos dos papeis de casamento e tudo o mais, além dos presentes que se dão n’aquella occasião.

Emfim quer os moradores quizessem, quer não, Babita e Ventura erão noivos, tinhão já o sim de D. Cula, a unica que podia n’aquelle negocio serrar de cima, e com o favor de Deus e das leis d’este Imperio do Brasil que S. M. D. Pedro I nos deu, estavão contentes como se tivessem ganho o reino do céo.

O casorio ficou marcado para d’ahi a 3 mezes, quando o tropeiro voltasse de uma viagem que tinha de fazer até a cidade de S. Paulo e que já estava paga.

No momento da despedida os noivos chorarão como dous perdidos; mas no coração lhes ficava a quentura da felicidade.

D’ahi a tres mezes!...

II

No tempo marcado voltou Ventura mais amorudo do que quando partira e com as mãos cheias de presentes. D. Cula ganhou um vestido de muito boa seda e Babita uma joia de ouro verdadeiro.

Sim, senhor! não era falsificado. O boticario que entendia de ourives o disse, e o que sabia da boca d’elle era que nem palavra de Evangelho, pelo menos ninguem o tinha pilhado ainda em mentiras.

Emquanto o noivo estava viajando, Babita não ficou de mãos abanando. Tinha cozido todo o seu enxoval e arranjado com os dedinhos o vestido do casamento, que a mulher do commandante superior da guarda nacional fez o favor de cortar e acertar, porque era uma senhora muito estimavel. Tambem a cousa parecia uma maravilha de feitio e assentada.