Mas o que é o destino da gente!

Foi senão quando por este tempo Uberaba poz-se n’uma dobadoura que ninguem na terra se lembrava de cousa igual. Uberaba tão socegadinha! Longe de tudo e de todos no meio de seus sertões!

Não se fallava senão em guerra!

Juca Ventura desde S. Paulo viéra ouvindo contar que o Imperio do Brazil estava n’uma pendencia muito grossa com uma republica chamada do Paraguay, que havia muito fogo de parte a parte, gente e mais gente partia para fóra, que muitos ião por gosto, outros a páo e corda, que o recrutamento roncava feio e forte e os rapazes andavão disparando para os matos, mas como ninguem veio mexer com a vida d’elle e lhe perguntar quantos annos tinha, seguio socegado o seu caminho do interior, sem se occupar com as novidades, a vir se casar, unica cousa que lhe importava n’este mundo.

Eis que encontra na sua cidade a mesma revolução, o mesmo reboliço.

Parece que os negocios não ião bem. O governo da côrte tinha posto nos jornaes que todos devião combater, que a guarda nacional havia de marchar, que era a occasião da gente mostrar a sua coragem e uma lenga-lenga muito grande, tudo para levantar voluntarios.

Minas Geraes, só Minas devia dar seis mil soldados. Imaginem!

Ora Minas é muito grande e tem bastante gente, mas onde é que se ia buscar tanto povo de uma vez para pôr de arma ao hombro! Esses homens lá de cima que governão os outros ás vezes não pensão com juizo. Era uma exigencia por demais.

Alem d’isto todos sabião que tinhão marchado de S. Paulo e de Ouro-Preto duas forças grandes para se juntarem em Uberaba, e d’ahi seguirem para os lados de Mato-Grosso, que os inimigos tinhão tomado á força e onde estavão fazendo selvajarias sem conta nos brazileiros que cortava o coração só de ouvir fallar.

Tudo isto não bastava.