—Pois, meu amigo, não ha bem que não se acabe. N’estes dias devemos todos partir de Miranda. Não sei se você quer ficar.... Ah! a proposito, trago-lhe uma carta do Rio de Janeiro.... Quer vêr que a perdi!... Não; está aqui: fui pescal-a na mala que por acaso chegou de Cuyabá, de modo que a data não póde ser muito antiga.
Alberto abrio a carta que lhe passára o amigo, e uma nuvem correo-lhe pelo rosto.
—Tenho más noticias, disse elle, dos meus negocios na Côrte. O banqueiro em que tenho algum dinheiro está, pelo que me escrevem, um tanto abalado...
—Com mil bombas! exclamou Julio, o caso não é de brinquedo! A sua presença é indispensavel e quanto antes...
—Sim, concordou Alberto distrahidamente, preciso partir.
Ierecê ouvira tudo com rosto impassivel, mas dentro d’alma parecia-lhe que a sua hora de morrer vinha chegando.
Durante o dia Alberto, com algum constrangimento, confessou a Julio Freitas e a João Faustino que sentia bastante desgosto, quasi remorsos, em deixar Ierecê. Leval-a, era impossivel, elle bem via, mas tambem abandonal-a de chofre...
—Entretanto, objectou Freitas com algum calor, você não póde ficar aqui anniquilado!... Fôra quasi um crime!...
—De certo, porém...
—São cousas que acontecem todo os dias... Demorar a resolução é que é máo...