Ierecê abanou a cabeça e suspirou profundamente.

De manhã a sua physionomia estava toda alterada. A mão pesada da dôr havia pousado sobre o seu rosto e, tirando-lhe o colorido das faces, traçára circulos rôxeados ao redor dos olhos.

Durante todo o seguinte dia, apezar das rogativas e até ordens imperiosas de Alberto, ella nada comeu. Acocorada em um canto estava sombria. Parecia doente; teve um pouco de febre.

Como tal situação tornava-se penosa para Alberto, decidio elle partir antes do dia em que pretendêra sahir do Hetagati.

Communicou, pois, a Morevi que na manhã seguinte fazia-se de viagem.

O velho não mostrou o menor abalo nem desgosto: pelo contrario desejou-lhe toda a sorte de felicidades pelo regresso e cobrio-o de bençãos quando soube que tudo quanto continha o rancho ao lado viria a pertencer-lhe desde logo. Com a posse de duas redes, alguns cobertores, espingardas, polvora e chumbo, pelles, facões, um par de tamancos e varias notas de papel-moeda, julgou-se o estimavel feiticeiro senhor de riquezas inexgotaveis e na obrigação de manifestar ruidosamente o maior reconhecimento a quem se despedia por modo tão generoso.

Não foi sem beijar repetidas vezes a mão de Alberto, que Morevi deixou-o montar a cavallo.

Ierecê tinha se ausentado.

O mancebo, depois de despachar o camarada Florindo, disse com os olhos um adeos eterno áquelle recanto e fazendo um gesto amigavel ao velho, partio á hora em que o sol ia quasi chegando ao pino.

Seguia elle pela trilha que levava á estrada geral, quando n’uma das voltas vio Ierecê mais adiante sentada n’um tronco de arvore cahida e á sua espera.