Sala de visitas de Manoel Ribeiro: mobilia rica. No meio, uma mesa com tapete de gosto. Nos consolos jarras com flôres. Portas lateraes e ao fundo.
Manoel Ribeiro, Fonseca.
Ribeiro (passeia de um lado para outro, ao passo que Fonseca está sentado junto á mesa).—É como lhe digo, meu amigo; tudo póde se arranjar...
Fonseca.—Então não lhe desagrada a minha proposta?
Ribeiro.—Sinceramente, não. Eu, além d’isso, já a esperava... Combinei certas cousas... vi em você uns ares. É que não sou nenhum palerma: previ que breve teriamos que fallar a respeito e preveni D. Rita, minha mulher...
Fonseca.—Nós todos o conhecemos como homem sagaz.
Ribeiro (com simplicidade affectada).—Sagacidade, não: alguma penetração... e quer que lhe diga uma cousa? (parando diante de Fonseca que se levanta) essa penetração não se desenvolveu como devêra por causa da educação que meus paes me derão. Oh! eu havia nascido para alguma cousa de grande n’este mundo... e que consegui afinal?... Que sou no fim de contas?
Fonseca (com calor).—Oh! meu amigo, capitalista e muito forte!... Que se póde desejar mais?
Ribeiro (levantando os hombros).—Qual!... E a gloria, Snr. Fonseca? A gloria?
Fonseca (com sorpreza).—Que quer você com a gloria?