Rocha (continuando).—Não, eu tambem sou parente... tenho que erguer a minha voz... Quer uma prova mais evidente da baixa ganancia... do mercantilismo do que a que acaba de ter?... Por uma questão de contos de réis... esse homem, que fingia um sentimento, esqueceo tudo e sobre tudo a sua noiva, anjo de innocencia, gemma de um valor inestimavel...

Alberto.—Mas quem é essa?

Rocha (arrebatado).—Oh! é um diamante de Golconda... é um seraphim capaz de levar as almas ao paraizo só com o poder do seu olhar... é emfim...

Ribeiro.—Se falla de minha filha, declaro-lhe que ella ainda não é noiva...

Rocha.—Mas o que o senhor me disse ha pouco fazia crêr...

Ribeiro (meio zangado).—Ha pouco eu lhe disse muita cousa... Na realidade, pensei que poderia... mas... emfim... nem tudo... quanto se pensa, pode realisar-se... Ahi é que está o cunho do talento reflexivo... (Animando-se a pouco e pouco.) E com mil bombas! este procedimento desagrada-me solemnemente...

Lemos (com a mão no queixo).—E com toda a razão.

Ribeiro (exaltado).—Razão tenho de sobra... É fazer pouco em mim. N’um dia em que convido para jantar não pode haver motivos...

Rocha.—Justamente, justamente...